poeta vivo

Nasceu da invencionática. Estudou a informática. Aprendeu a ter preguiça do corpo, da vida comunitária e mergulhou na tecnologia. Adoeceu, virou do avesso, reencontrou o corpo, as pessoas e a escrita. Esse é o primeiro poema que publica, fruto de muita ação poética na vida. Instagram: @maricomdoisn

Poesia

Ser-desejo

Eu desejo que quando eu estiver aqui,
eu esteja de todo coração
E quando eu estiver lá,
eu esteja de todo coração

Desejo que nada que me
atravesse me faça falta a ponto
de eu não conseguir
verdadeiramente me sentir
presente

Atravessamento é semente
Que a abundância seja evidente

Que consciente esteja eu
Que o necessário seja Deus
Este que é cada gota e que é
também o oceano

Autor de A poesia para: outra poesia, dentre tantas (independente); do jeito que ahhh! encruzilhando beiradas, Abissais, ambos pela editora TAUP e de um canal de poesias audiovisuais no YouTube: poesiasdemarcosrobertodossa

Poesia

O pagador de contas

por vinte anos financiei a vida
por mais tantos a renegociei
esta odisseia triste está invicta
meu totem e tabu pai astro rei

de assinar eu não lembro este contrato
nem discutir aqueles termos nem
com a substituição concordar com
ponto com sitcom triunvirato

era apenas um código de barras
tenro frágil febril uma ousadia
fé na vida um gracejo da fortuna

tudo que faz de si o seu vigia
…………………………………………………….
mais vinte anos parecido nem…
mais vinte anos parecido com…

por vinte anos financiei a vida por mais tantos a renegociei esta odisseia triste está invicta meu totem e tabu pai astro rei de assinar eu não lembro este contrato nem discutir aqueles termos nem com a substituição concordar com ponto com sitcom triunvirato era apenas um código de barras tenro frágil febril uma ousadia fé na vida um gracejo da fortuna tudo que faz de si o seu vigia ............................................................. mais vinte anos parecido nem... mais vinte anos parecido com...

Professor, militante do Pstu-MA, participei de publicações/antologias da TAUP, O Navalhista, revista Mormaço, Fruta Bruta, A Desfrutada, entre outras.

Instagram: @marcelinorodigues30

Poesia

Eu, astronauta II

Perdido choro
o tudo
e o mais nada
olho

A nave
um cabo
o susto
um só

A tripulação
os gritos
a surdez
o silêncio
olho

Os amores
a distância
a escuridão
agora
a dor

Filha do interior e criada pelos muitos cantos do Brasil. Sua poesia revela uma percepção profunda do mundo, que se entrelaça à complexidade do ser, transitando entre o delírio e a lucidez.

Poesia

Sou mar

Na maré baixa
Compartilho meus segredos
Minhas dores, meus medos

Sou beleza
Sou lazer
Sou alegría

Lua Nova,
Sou força,
Mistério e euforia

Guardo desejos,
Escondo segredos,
Que ecoam em minha cantoria

Sou fonte de fé,
De coragem,
De vida abundante e sabedoria.

Sou mar
Sou do mar
Sou maresia.

Educador, atuante em movimentos sociais e culturais buscando as vozes das periferias e minorias. Expressivo através das artes promovendo a essência das humanidades e sociedades. Submergido em versos e rimas… a; in; en-cultural? Multicultural!!

Instagram @leo.agomez

Poesia

Mundos

Uma História
são histórias
e estórias
verdades
visões
versões
interpretações
intenções
impressões
e expressões
De tudo
de todos
de si
do outro
da forma
deforma
desforma
reforma
conforma
com forma
informa
pra alguém
pra si
pro outro
pra quem?
Uma História…

Escritora contemporânea, escreve sobre gênero e suas multiplicidades. É paulista, mulher lgbt e pessoa com deficiência oculta. Mãe de pets e de plantas, atualmente, vive em São José dos Campos.

Poesia

Enxaguando a mente

Mãe, faz um pix?
Maria coloca roupa para lavar.
Maria, onde está meus sapatos?
Maria adiciona o sabão.
Mãe, o almoço tá pronto?
Maria enxagua.
Você devia ficar em casa no sábado com sua família.
Maria esfrega as roupas com rapidez.
Maria, você está lavando roupa de novo?

Submissa Maria não é
Mas retrucar pra quê?
Uma faísca pode gerar um incêndio
Maria não quer queimar nada
O que ela quer é paz.

É poeta, artista visual e designer gráfica. Tendo a poesia como fio condutor para suas experimentações, utiliza-se do rasgo, das dobras, das cisuras e costuras para criar imagens e versos. É autora do livro de poemas Parabólica publicado pela editora Patuá (2021).

Poesia

No dia em que a terra parou eu fui embora pra
[Pasárgada

Tomei o mapa num gole só e me inebriei de silêncios

Desconectados das redes globais, adormecidos todos os televisores, abandonados todos os carros

O calendário cansou de existir e pensou se não seria melhor ordenar suspiros

No dia em que a terra parou eu fui embora

Pra Pasárgada passar meus dias

Tomei a estrada num gole só e me inebriei de vento e orvalho

No dia em que a terra parou e tudo parou na terra

Eu vivi

Mestre em Linguística, professor universitário, revisor e tradutor, 67 anos, nasceu e mora no Rio de Janeiro, RJ. Possui mais de 150 obras publicadas em antologias de contos, crônicas e poemas, em livros físicos, e-books e revistas digitais. Membro de algumas associações literárias. Publicou dois e-books pela Amazon (Microcontos da Pandemia e Poemas Cáosticos).

Instagram: @josemsilvaprof

Poesia

Noites sem cor

des-ser
descrer
desfazer o viver
a única maneira
de existir
desistir

o mundo inexiste
o ser resiste
num acorde
numa estrofe
num refrão
o tesão
no desvão – da mente

só na incoerência há paz
só a loucura compraz

e quando nada dá certo
existe a arte
a parte
que reparte
que comparte
ou o desastre
o que dá no mesmo

Paulistano nascido em 1998, o autor, que segmenta sua literatura em três pseudônimos, é bacharelando em Letras e escreve prosa e poesia, abordando questões sociais, sexualidade e saúde mental. Lançou seu primeiro livro em 2019, já participou de várias antologias e recebeu destaques literários. Sua poesia agora é publicada pelo pseudônimo Jon Everson.

Poesia

Natureza-morta

Os dias escorrem até o extermínio.
Estou aprisionado em seus domínios,
Envolvido em seu abraço cortante.
Eram três meses; são só treze dias.
Preouço o som da trombeta, a agonia
De saber que sou desimportante.

Meu castelo se desfaz em meus dedos.
Olho para um céu tingido de medo,
E me queimo ao ferver a minha ira.
Sem tempo para o choro, fito o espelho.
Meu punho branco fi(n)ca vermelho
Quando o aço gasto golpeia a mira.

O amanhã é um dia para o que será.
Quando eu me for, eu irei, e você irá
Ter de botar menos um prato na mesa.
O quarto será a memória da sepultura.
Eu estarei posando para a sua pintura,
Inanimado como a própria natureza.

Gestora Cultural e graduada em Rádio e TV. Atuou como Facilitadora de Histórias na Bienal do Livro de SP e foi indicada ao prêmio Expocom 2012. Colaborou com coletivos poéticos, teatro e produções audiovisuais. Estreou na literatura impressa em 2013 e foi finalista do Festival de Poesia de SP em 2015.

Poesia

Torta

Dobrei sem simetria outro papel
Mesmo seguindo a linha pautada
cortei mais acima da linha pontilhada
Outra vez

Acontece o mesmo com cobertores
Junto as pontas
me concentro e rezo
mas sempre pende uma ponta
Sempre não tão bom assim

Lençóis de elástico então!
simbolizam toda minha trajetória errante
Da batata muita casca
e outros crimes com tesouras sem ponta

Talvez eu continue escrevendo inclinado
em linhas desbotadas

A curva do rio nunca quis ser reta
Transborda o cinza que
teima em emergir retilíneo
onde a nossa natureza
só quer existir

torta