Mulher

Rozana Gastaldi Cominal

Rozana Gastaldi Cominal é mulher feita d-eus múltiplos que sustentam o corpo amoroso, político e periférico. Acredita na força dos coletivos e com eles faz voz, incluindo a TAUP nesse refrão. Autora de “Mulheres que voam”(Scenarium, 2022) e “Doses de poesia suprema (Taup, 2024).

Poesia

micro carrossel

anseio pela calmaria do mar
desejo o ócio não criativo
em alegre desespero
alcanço o milagre sincero
~ também estamos aqui ~

exibo a mulher de valor
pernas para que te quero
escorrem da boca palavras amenas
frutífero diálogo com a flor
a decompor

trajetória insubmissa

corpo leve
circunscreve
branco como neve
ultraleve
peso pesado
lesado

caminho tortuoso
que se lança
que dança
que tensiona
que flutua
que insinua

tela escultural
forma harmoniosa
coluna vertebral
geometria sinuosa
curva espiral
corpo que pensa

Rosângela Macedo

Rosângela Macedo é mulher virtuosa, baiana, mãe, poeta, escritora, professora do ensino fundamental II, graduada em Letras e Pós-graduada em Língua Portuguesa. Se inspira na realidade e no protagonismo da vida para escrever. Sua prioridade é pelo bem-estar de si e do outro em busca da felicidade. É uma pessoa apaixonada por poesia e pela vida.

Poesia

Hoje é dia

De não querer meditar
De não querer sentir
O que há dentro de si
Hoje é dia de querer
Viver
Sentir
Provar
Não desistir
Quando teme o desconhecido
E sofre no desespero
Quando não conhece o segredo
De enfrentar sem medo
Hoje é dia de repercutir
Sonhar
Realizar
Não desistir
Ser livre e voar
Com desbravura conquistar
Hoje é dia de viver
Com alegria
Sentir
Saborear
Abraçar
Hoje é dia de amar.

Roberta Cavalcanti já fez fotografia, teatro e artesanato. Pintar já pintou, mas bordar só no sentido figurado. Hoje, tem a sensação de voar praticando tecido acrobático. Jornalista por vocação e formação, é especialista em Storytelling e Escrita Criativa. Se divide entre Jornalismo e Literatura, mas antes de escrever, gosta de viver, ouvir e contar histórias.

Poesia

Caminhar

Não, não é linear
A vida,
o sentir
Os processos e a cura
Não são lineares
Caminhar não é só andar
em linha reta,
plana,
certa
É incerto o caminho
e hoje ele sinuou,
elevou,
dificultou.
Pesou,
acinzentou,
desaguou
Mas um passo
curto,
um andar
lento,
um continuar
inseguro
ainda é caminhar
é seguir
sem querer ser linear
no caminhar

O tempo de viver

são relativos os tempos do tempo
o giro completo do ponteiro do relógio
mesmo o do menor deles
é rápido demais para uma despedida
lento demais para a espera de uma boa notícia
a folha de um calendário
se desprende depressa em um dia feliz
e parece para sempre presa em um dia difícil
há semanas que voam
outros que se arrastam
meses, anos
alguns estão sempre a recomeçar
outros quase a não querer continuar
nos relativos movimentos do tempo
há sempre a vida a se apresentar
no tempo que é sempre o tempo de viver

Renilda Viana

Renilda Viana nasceu em Iraquara /BA-Região da Chapada Diamantina. Professora aposentada. Escritora. Escreve poesias, contos e crônicas. Três livros autorais( poesias e crônicas) e coautora em diversas antologias. No momento(2024) dedica-se a sua primeira publicação no gênero infantil e seu primeiro livro de contos. 

Poesia

Classificados poéticos

Procuro pessoas desocupadas.
Livres para viver sem amarras.
Correremos atrás de gaivotas na praia e
tocaremos as campainhas de pessoas fechadas.
Prometo acordar o silêncio da sua solidão
e preencher o vazio desse coração.
Juntos, iremos ao jardim das possibilidades,
onde vivem as pessoas sem compromisso
com o mal humor e com a maldade.

Rakel Caminha

Rakel Caminha é multiartista manauara. Como um rio que flui em diversos caminhos, sua arte transita entre as artes visuais, multimídia e escrita. Sua criação é um mergulho profundo em processos sensíveis, onde arte, a natureza e a experiência da existência se encontram e fluem, como espelhos d’água dos sentimentos humanos.

Poesia

Memórias.

Memórias.
Inundação nas comportas do cérebro.

Recortes:
Ora ácidos, ora doces,
Fragmentos de um tudo.

– É Tempo: tempo que dança.
Que marca tudo o que toca.
Foz que deságua
os Instantes intensos que vivemos juntos

Um mergulho profundo
nas veias do peito
Localizadas
Logo abaixo
do Rio Negro.

De cabeça,
em cheio,
Um pulo livre,
na parte mais líquida
do coração.

É sentimento aglutinado e íntimo.

É tudo que se foi,
e que de alguma forma ficou…
E que, abaixo do solo, repousa,
infiltrando as estruturas das minhas cidades.

Paula Latgé

Paula Latgé é poeta, psicóloga, com formação em bioética e saúde coletiva, coordenadora da Associação Experimental de Mídia Comunitária – BEMTV, tem na poesia o seu impulso, escrever não é opção, é sentido de vida, palavras que preenchem o seu ser insistem em nascer, e quando não nascem, abortam o ser que deveria ter sido e não foi.

Poesia

PRECE

Escreve poesia quem não sabe prosar
Poeticamente prosando o poeta nunca está
A poesia não tem linha
Não tem tempo
Nem história
Ela caminha fantasticamente
Quase simplória
Onde começa?
Quando termina?
Quem faz o verso?
Será com rima?
A poesia não se pergunta
Se acontece!
Inesperada nasce da alma
Como uma prece.

Nina Carneiro

Nina Carneiro é poeta, compositora e artista autista. É autora dos livros “Devaneio Coerente” (Filos, 2021) e “No limiar do espectro” (Filos, 2024), e também conduz um projeto musical chamado Nina and The Infinite Universe.

Poesia

Princípio hermético

– Estamos aqui –
Disseram as formigas
tão pequenininhas
sobre a mesma terra
na qual caminhamos

– Estamos aqui –
Disseram as estrelas
sem-nome e distantes
no mesmo infinito
no qual existimos

Formigas e estrelas
fazendo poesia
Aqui e acolá:
o mesmo lugar
que é este universo

Nanci Otoni O. de Faria nasceu em Nova Lima, MG, Brasil. É casada, mãe de três filhos, professora e orientadora aposentada. Graduada em Letras, Pedagogia e certificada em Hipnoterapia. Apaixonada por poesias e histórias de ficção, possui quatro obras publicadas e outras em andamento. Faz parte da Academia Nova-limense de Letras.

Poesia

MEU RETRATO

Não sei se é bom ou se é certo
Só sei que o que penso que o que o sinto
Fazem ainda diferença na hora de existir
De me expressar de me redimir

Sentimento de inutilidade me invade a mente
E uma tempestade de ideias loucas toma conta de mim
Não sei se protesto e aceito se durmo e se esqueço
Apenas sei que esses pensamentos ruins
Precisam ter fim

Viajo busco outros ares mas sempre me deparo
Com a sensação de insignificância que à noite me espera
Me sinto fraca um caco um trapo
Já fui um dia importante na história

Ainda bem que as lembranças já estão indo embora
Pessoas importantes que me vêm à memória
Escapam dela da mesma forma
E tampouco estou me lembrando dos tempos de outrora

Estou virando uma página em branco
Um ser sem mente e exigente e implicante
Que não sabe mais o que me espera
Apenas pressinto que estou indo embora
Que preciso pôr um fim na minha própria história

SABINO MENINO

Em 1923, nasceu, em BH, um menino
Filho de Odete e de Domingo Sabino
Que possuía talentos encobertos
Mas o dom de escrever era certo.

No dia das crianças, nasceu o mineirinho
Que gostava de ler pelo caminho
E nem percebia que havia perigo
De andar distraído lendo um bom livro.

Com doze anos, para o escotismo entrou
Em uma de suas crônicas, o garoto declarou
“Uma vez escoteiro, sempre escoteiro”
E seguirei livre para onde for.

Com doze anos incompletos
Aquele rapazinho foi o locutor
Do programa infantil “Gurilândia”
Que a rádio Guarani de BH criou.

Aos quinze anos, o Sabino se superou
E na criação de um jornalzinho ajudou
Ele foi cognominado “Inúbia”
E no Ginásio Mineiro se instalou.

Aos dezessete anos, aprendeu taquigrafia
Ser gramático o Sabino pretendia
E escrever mais rápido
Era tudo o que ele queria
Escritor, então, virou o menino.

Milca Batista

Milca Batista é professora de artes, escritora e ilustradora. Escreveu e ilustrou o seu primeiro livro “Eu Sabia que a Mudança Viria”.
Está no Instagram como @ilustre.miuca 😊

Poesia

Do meu pai para mim

Do meu pai
Eu herdei a alergia.
Os espirros incessantes,
Os olhos inchados
E os remédios em cima da penteadeira.

Do meu pai,
Não recebi a herança.
Não herdei o mal gosto,
E não mantive sua prepotência.

Do meu pai
Eu ganhei a raiva do mundo
A lembrança da ausência,
A tristeza nos olhos.

Do meu pai
Eu ganhei de presente
O que eu não queria ganhar.

Agora,
Dentro do meu peito
Mora um grande cavalo de troia.

Michele Magalhães

Escritora, Poetisa, Colagista Manual, Mãe atípica, Autista, Servidora Pública do Estado de Rondônia, Formada em Matemática e Letras Inglês e suas respectivas Literaturas, Mediadora de Biblioterapia, Mestra em Engenharia de Energia, Criadora da página @partilharpoesia, Michele Magalhães é uma mulher múltipla.

Poesia

rio em mim

entro na água
o rio mergulha
em mim
unidos
somos
um

sigo sem rumo
pelas linhas
paralelas
destes caminhos
tortuosos,
onde me
reencontro
com quem
sempre fui

corpo repleto de
alma-coragem
em busca da cura
eu-me encontrei

me deixo levar pela correnteza
meu corpo ser levado pelas águas
minha alma ser lavada pelas águas
me sinto mais leve