Haicaista

Publicitário, jornalista, professor e escritor. Mora em São Paulo/SP. É autor de dezenas de obras, incluindo “Haicais vazios” (2025, TAUP). Vencedor do Prêmio ABERST, Troféu HQ MIX, Prêmio Ecos da Literatura e alguns outros, já participou de mais de 350 coletâneas de contos, poesias e quadrinhos.

Poesia

Amor e paixão

Paixão é pá, torrente, tempestade.
Amor é semente, chuva, sol da tarde.
Paixão é a coragem com intensidade,
Amor também é coragem, mas a mais temível ao covarde.
Paixão é muitas vezes a metade.
Amor é continuamente por inteiro, sem alarde.

Paixão sem amor, queima e se extingue.
Amor sem paixão ainda se distingue,
mas em fogo baixo, com suavidade.

Alexandre Ricardo de Lara nasceu em Curitiba em 1975 . Graduado em engenharia civil e pós-graduado em administração de empresas. É autor do livro de contos “O Cão Alado”.

Poesia

Um dia

Um beijo no rosto
Um convite
Nossos porta-retratos
Uma janela

Nuvens escuras
Arcabouço formado
Pequenos sinais
Abrindo crateras

O avesso
Almas convexas
Caminhos opostos
Grandes mazelas

Nova cidade
Outra atmosfera
A volta ao início
Um dia
Quem me dera

É poeta, artista visual e designer gráfica. Tendo a poesia como fio condutor para suas experimentações, utiliza-se do rasgo, das dobras, das cisuras e costuras para criar imagens e versos. É autora do livro de poemas Parabólica publicado pela editora Patuá (2021).

Poesia

No dia em que a terra parou eu fui embora pra
[Pasárgada

Tomei o mapa num gole só e me inebriei de silêncios

Desconectados das redes globais, adormecidos todos os televisores, abandonados todos os carros

O calendário cansou de existir e pensou se não seria melhor ordenar suspiros

No dia em que a terra parou eu fui embora

Pra Pasárgada passar meus dias

Tomei a estrada num gole só e me inebriei de vento e orvalho

No dia em que a terra parou e tudo parou na terra

Eu vivi

Gestora Cultural e graduada em Rádio e TV. Atuou como Facilitadora de Histórias na Bienal do Livro de SP e foi indicada ao prêmio Expocom 2012. Colaborou com coletivos poéticos, teatro e produções audiovisuais. Estreou na literatura impressa em 2013 e foi finalista do Festival de Poesia de SP em 2015.

Poesia

Torta

Dobrei sem simetria outro papel
Mesmo seguindo a linha pautada
cortei mais acima da linha pontilhada
Outra vez

Acontece o mesmo com cobertores
Junto as pontas
me concentro e rezo
mas sempre pende uma ponta
Sempre não tão bom assim

Lençóis de elástico então!
simbolizam toda minha trajetória errante
Da batata muita casca
e outros crimes com tesouras sem ponta

Talvez eu continue escrevendo inclinado
em linhas desbotadas

A curva do rio nunca quis ser reta
Transborda o cinza que
teima em emergir retilíneo
onde a nossa natureza
só quer existir

torta

É Professor Universitário (UFSC) e Doutor em Física pela UNICAMP. Baiano, da cidade de Itabuna, casado e pai de duas filhas, é apaixonado por  ensinar e aprender. Também é atleta amador de natação e corrida. Dedica-se à poesia no seu perfil do @danfagundes_poesia e já teve alguns de seus textos publicados nas revista Ruído Manifesto e O Navalhista.

Poesia

Nosso time

Nosso amor já foi
o estádio lotado;
o olé pra torcida;
o gol de placa.

Hoje
o meio de campo é nosso forte:
o passe lento
(e preciso)
a cadência de jogo;
o “toca-me e vou”
sem pressa.

Os tempos são outros,
meu bem,
mas nosso time
ainda bate um bolão.

Vanessa Valentim

Vanessa Valentim é docente, licenciada em Letras, especialista em fonética e fonologia, mestranda em Literatura em Língua Estrangeira e Literatura Comparada. Educadora, pesquisadora e inquieta. Amante dos seres vivos. De pequena queria ser professora, brincava de dar aulas, ensinava suas pequenas sabedorias.

Poesia

Quando o telefone vibra

Um chá preto
descansa na xícara com desenho de um elefante.
O telefone vibra insistentemente.

Tocar jamais,
essas musiquinhas
não combinam com a rotina já estridente.

Notícia que chega vibrando
segue vibrando e ecoando
do estômago até o pescoço.
Harmoniza com aquele retrogosto
amargo da infusão esquecida.

O sofrimento flutua,
não sabe nadar.

A única boia;
respirar.

Túlio Velho Barreto

Túlio Velho Barreto participou de dezenas de antologias e coletâneas de poesia e contos. Recentemente, publicou os livros Do Estar no Ainda – Haikais (Patuá, 2022), Versos em Cordas Primas (Helvetia, 2023), premiado pelo Festival de Poesia de Lisboa, e Pequeninos Animais em Haikais, (Patuá, 2024), voltado para o público infantil. Em 2025, foi 1º lugar no Prêmio Off Flip de Literatura com o conto “A Invenção de Fernando Pessoa”. 

Poesia

MÁQUINA DE ESCREVER

[Impassível]
Diante de mim pareces esconder segredos
a revelar – tarde ou cedo – o que não se sabe.
Antes do fim.

[O suave toque]
No deslizar dos dedos sobre a matéria
escreves a palavra séria que nunca se prende.
Nem se perde.

[No mesmo som]
Repetido em cada movimento faz-se
então a marca na face do branco absoluto.
Como um rito.

[Resultado:]
Em linhas retas apoia-se a musculatura
do escriba. E os traços espalham-se plenos.
Em mil planos.

[Poema e prosas]
As palavras que ali pousam vão até onde
as mãos alcançam quando a mecânica para.
E então calas.

O OLHO DO MAR

o olho do mar
atravessa
a praia
alcança espumas
acaricia
lambe
beija a areia
a seduz
quando clareia
a sob a lua
se divide
se multiplica
em leve flerte
e reflete
tudo o que mira
como o sol
da manhã
e da tarde
para apenas
à noite revelar:
o olho do mar
é farol

Renato Formiga

Renato Formiga Lima, nascido em Minas Gerais, é um poeta, escritor e um cientista, que busca, na virtude e pelo porquê das coisas, a forma de expressão máxima que somente a arte e o pensar podem transmitir.

Poesia

Adeus, bela rosa

Minha rosa amiga, bela e dourada
tanto a amo que o ar do peito se esvai,
sufocado tive a felicidade roubada,
pois uma escuridão chegou e não se vai;
se me afasto e me calo é porque eu a amo
e não sei agir corretamente ao teu encanto.
Sofro do mal da tristeza e do abandono
um covarde que não teme machucar a pétala;
estou tão perdido em prantos e pensante,
não sei lidar com essa doença inquieta
que joga para o alto e depois para o abismo,
a que me aflige e me faz cair no descrer,
e que destrói a mente sã: a paixão ardente.
Minha cara, se perguntar a mim se sofro,
Direi que sofro e então direi mentiras,
Pois não posso dizer que me sinto isolado,
Que sinto que entreguei o tudo por nada
Que a amei sem ter motivos de amar,
E é por amar que me afasto de ti, amor,
Pois senti que estava procurando mais dor…
E então rosa dourada, coisa mais bela,
Serei então tolo por conjurar tal poema,
Mas minha alma arde e pede por escrever,
E em vão e mais uma vez procuro sua alma:
Com palavras espero que me entenda,
Porém sem esperanças verdadeiras…
Quando vi você correndo descalça em direção
à árvore quadricentenária na Ilha do Combú
e depois colocando as mãos espalmadas
na base da samaumeira de mais de 50 metros,
imaginei você trançando os cabelos nos galhos;
conectando-se às folhas e ao tronco igual no Avatar .

Faz 10 anos. Hoje leio os primeiros versos de um poema
que você esboçou quase em lágrimas pela manhã:
“Uma árvore virou cinza na Amazônia.
Inúmeras árvores viraram cinza na Amazônia
nos últimos anos.”

Naquele mesmo dia, coloquei meu ouvido na terra.
Disse a você que escutava o choro das árvores,
O clamor do solo sangrando, de peixes sufocados,
De muitos animais gemendo e convalescendo.

Você me disse que eu não sabia aproveitar a beleza de Gaia,
a energia da floresta, as vozes e os espíritos ancestrais.
Por isso, não lhe disse que também ouvi sons de motosserra,
De árvores crepitando, de pássaros em agonia.

“Nem tudo é tragédia”, você me repreendeu.
“Nem tudo é beleza”, pensei mas não lhe disse.

Nanci Otoni O. de Faria nasceu em Nova Lima, MG, Brasil. É casada, mãe de três filhos, professora e orientadora aposentada. Graduada em Letras, Pedagogia e certificada em Hipnoterapia. Apaixonada por poesias e histórias de ficção, possui quatro obras publicadas e outras em andamento. Faz parte da Academia Nova-limense de Letras.

Poesia

MEU RETRATO

Não sei se é bom ou se é certo
Só sei que o que penso que o que o sinto
Fazem ainda diferença na hora de existir
De me expressar de me redimir

Sentimento de inutilidade me invade a mente
E uma tempestade de ideias loucas toma conta de mim
Não sei se protesto e aceito se durmo e se esqueço
Apenas sei que esses pensamentos ruins
Precisam ter fim

Viajo busco outros ares mas sempre me deparo
Com a sensação de insignificância que à noite me espera
Me sinto fraca um caco um trapo
Já fui um dia importante na história

Ainda bem que as lembranças já estão indo embora
Pessoas importantes que me vêm à memória
Escapam dela da mesma forma
E tampouco estou me lembrando dos tempos de outrora

Estou virando uma página em branco
Um ser sem mente e exigente e implicante
Que não sabe mais o que me espera
Apenas pressinto que estou indo embora
Que preciso pôr um fim na minha própria história

SABINO MENINO

Em 1923, nasceu, em BH, um menino
Filho de Odete e de Domingo Sabino
Que possuía talentos encobertos
Mas o dom de escrever era certo.

No dia das crianças, nasceu o mineirinho
Que gostava de ler pelo caminho
E nem percebia que havia perigo
De andar distraído lendo um bom livro.

Com doze anos, para o escotismo entrou
Em uma de suas crônicas, o garoto declarou
“Uma vez escoteiro, sempre escoteiro”
E seguirei livre para onde for.

Com doze anos incompletos
Aquele rapazinho foi o locutor
Do programa infantil “Gurilândia”
Que a rádio Guarani de BH criou.

Aos quinze anos, o Sabino se superou
E na criação de um jornalzinho ajudou
Ele foi cognominado “Inúbia”
E no Ginásio Mineiro se instalou.

Aos dezessete anos, aprendeu taquigrafia
Ser gramático o Sabino pretendia
E escrever mais rápido
Era tudo o que ele queria
Escritor, então, virou o menino.

Laila Angelica Moraes

Laila Angelica Moraes nasceu em Votuporanga-SP. Professora, Pedagoga, Escritora, Pesquisadora e Revisora Textual. Tem textos publicados nas Revistas Mallarmargens, Ruído Manifesto e Sucuru. Coautora de várias Antologias. Autora do livro de poesias “Poememórias” (2021) pela Editora Expressividade. Possui a coluna “Desalinhos Poéticos” na Revista Ikebana. Acadêmica da ACILBRAS, ABRESC, NALAP e ALIPE. Instagram: @lailamoraes30

Poesia

Amigos e amantes

Em seus doces abraços,
encontro-me.

Seus doces e aromáticos
beijos de morango,
afagam a minha alma.

O som de seus batimentos,
são como uma sinfonia
que aquecem o meu corpo.

O balanço das ondas
de seus negros cabelos,
me enlouquecem,
quando posso tocar
docemente.

Minhas pupilas
se dilatam
com o seu
sorriso maroto.

Me enlouquece
o seu toque em meu rosto.