poeta vivo

Natural de São Paulo; autor de 04 livros; Título Comenda Literária “Pablo Neruda”; reconhecido por diversas Premiações em meios Literários, Profissionais e Culturais; Participações em vários Concursos Nacionais e em 30 Coletâneas Antológicas e Projetos Literários no Brasil e no exterior. Instagram @acarlosmisawa

Poesia

A Canção do Pôr do Sol

O sol se deitava sobre os ipês floridos,
e o vento dançava entre notas perdidas.
Ele dedilhava canções ao entardecer,
ela, encantada, só queria pertencer.
O amor nascia no som e no olhar,
como quem encontra no outro seu lar.

Os dias eram música, brisa e chama,
abraços que o tempo jamais desama.
No brilho dos olhos, segredos guardados,
no toque das mãos, desejos calados.
Cada acorde era um verso a pulsar,
um poema que a vida insistia em cantar.

Vieram promessas, vieram partidas,
o tempo impiedoso cruzando suas vidas.
Cartas dobradas, perfumes guardados,
fotografias de risos apaixonados.
Mas o sol sempre voltava ao poente,
e a música os trazia de volta à mente.

Um dia, perdida entre velhas memórias,
ela encontrou vestígios da sua história.
Os dedos tremiam, o coração disparava,
seria um acaso ou o destino chamava?
Na linha distante, um simples “alô”,
e o mundo parou, sem dizer se acabou.

A vida seguiu como quem nunca esquece,
como quem ama e o tempo obedece.
O amor não pede, não se desfaz,
permanece no eco de um pôr do sol fugaz.
No acorde de um violão que toca sozinho,
ou no silêncio, onde o amor faz seu ninho.

Nasceu no Rio de Janeiro em 2000. Poeta e pesquisadora, é formada em letras pela Univates. Seu trabalho envolve autoras brasileiras com o projeto de clube de leitura Amavisse, também possui o perfil literário @leituramista onde fala sobre livros escritos por mulheres.

Poesia

Saudade

te sinto aqui ainda, enroscada nos meus pés
na minha visão periférica, ainda vejo você caminhar por mim,
uma sombra, um pulo
eu giro a cadeira, você não está.
acho que te ouvi, mas não te encontro

como faço pra te encontrar além dos meus sonhos?

te sinto aqui ainda, fico aliviada
por um momento e depois, não mais.
a saudade me come pelas beiradas
ainda sinto teu cheiro
ainda te espero,
apesar de saber que você não vai voltar
e eu sei onde está.

eu olho a janela, sinto um vento.
durmo torcendo
te ver de alguma forma,
a cama ainda está morna.

a saudade me arrebata a cada roupa que visto
toco em um pouco de você a cada pelo que encontro
o que me restou da saudade:
uma foto sua e uma tatuagem.

ainda te sinto aqui
você me sente, daí?

Alexandre Ricardo de Lara nasceu em Curitiba em 1975 . Graduado em engenharia civil e pós-graduado em administração de empresas. É autor do livro de contos “O Cão Alado”.

Poesia

Um dia

Um beijo no rosto
Um convite
Nossos porta-retratos
Uma janela

Nuvens escuras
Arcabouço formado
Pequenos sinais
Abrindo crateras

O avesso
Almas convexas
Caminhos opostos
Grandes mazelas

Nova cidade
Outra atmosfera
A volta ao início
Um dia
Quem me dera

Adriana Carneiro (Recife) é formada em dança (Konservatorium der Stadt Wien /Áustria), Letras (UNICAP) e especializada no ensino do alemão (Friedrich-Schiller-Universität Jena/ALE). Publicou a obra “O corpo como parte de um sistema” (Patuá, 2023). O que move seus poemas não é o corpo; porém, são o ser humano, a natureza e seus atributos.

Poesia

VIGOR

o corpo celebra a cada desejo correspondido
não é tão fácil compreender a manipulação da mente sobre o que ele sente
vigor é amalgamar corpo e mente e deixá-lo ser no seu tempo
ele nasce, cresce e quer amar eternamente
como se o amanhã fosse sempre o hoje
como se o vigor fosse para sempre
um corpo que pensa assim é potente
não se deixa vencer facilmente
ele é jovem incessantemente
desde que foi uma semente
que no útero eclodiu
de um encontro de vigor de duas vidas

 

Poema da obra O corpo como parte de um sistema
(Editora Patuá/SP, 2023)

Encontrei na poesia uma forma de me expressar como jamais havia descoberto antes. Parece clichê e pode ser que ainda não estejam perfeitas, mas é algo que carrego comigo e sei que vai continuar fazendo parte da minha vida.

Poesia

Monotonia

Pensei hoje nessa vida, em como ela anda tão pacata ultimamente que já não consigo mais diferenciar os dias.
Não me sinto como antes, sinto como se eu não fosse eu, como se o mundo não fosse real, ele não parece real.
Sinto falta de uma realidade da qual já fiz parte, mas não me pertence mais. Uma realidade onde existiam momentos bons e eu podia usar a palavra “feliz” sem soar de um jeito falso.

Pensei em sair hoje, agora. 00:18 E eu queria sair, ir à Porto Alegre, caminhar pela rua dos Andradas e conhecer mais do museu Mário Quintana. Queria sentir a brisa do vento pelo meu rosto, sentir que estou ali, viva. Afinal, de que adianta viver se você não puder se sentir vivo? Me pergunto isso diariamente. Não sei direito o que é “viver” mas sinto que é algo fora do meu alcance, algo que desconheço já têm um tempo.

Talvez a definição de viver não esteja no dicionário
talvez esteja em você ou em mim, penso se em algum momento irei achar a real definição, se em algum momento eu sentirei que estou viva de novo
e não só mais uma pessoa andando pela cidade.

Mineira de Belo Horizonte e viajante do mundo! Que sonha em fazer um poema com objetivos diretos como o orvalho e o rio que se entoam naturalmente!

Poesia

Rio Verde

Aprofundar-te seria perder…
E era como um segredo
cortar-te ao meio, cegar-te
voluptuosidade clandestina
fazer de conta que era mistério
que a realidade acontecia nua
inundando o desejo
incrustado em seu chão transparente, era estesia!

Magicamente, algo nos vigiava atento
a memória esvaziava, a fantasia vinha
e o silêncio eclodia.

E era como fogo
sede-sedução
alimento orgânico
gorjeio desenfreado.

Querer-te seria morar-te
olhos verdes
Rio Verde.

Rodrigo B. Moraes nasceu em Belém, Pará, em 1982. Ele já morou na Suécia, Áustria e atualmente mora na Bélgica. Rodrigo possui doutorado em Matemática Aplicada pela Universidade de Leuven, Bélgica. Em seu tempo livre, Rodrigo faz escalada esportiva, cozinha, escreve poesia, toca bateria e cuida de seus dois filhos.

Poesia

Dourada

Ela dança
sob a luz das luzinhas de Natal.
Douradas,
pequenas estrelas que cintilam
na parede que a emoldura.

O ar que a envolve faz-se palco. A madeira
aos seus pés range ao ritmo. Os móveis
da sala cedem lugar. A noite
fora da janela quer entrar –
Pois a Lua se esforçou, tentou de tudo…
A dançarina é mais bela,
Brilhante.
A Lua é de prata,
Ela é dourada.
A noite quer vê-la dançar.

A garota dourada de Klimt
veio à vida. Fez-se bailarina,
fez-se encanto.
Me olha nos olhos
e dança.

Só pra mim.

Poeta, escritora do Amazonas, tem 3 livros solo, Meu Grão de Poesia (1981), Milton Hatoum- Um certo olhar pelo Oriente-Amazônico (2008) e In(-)versos do meu Verso (2024). Além de participação em 29 Antologias e Coletâneas. Colaboradora dos Coletivos Mulherio das Letras e Enluaradas Amazônia.

Poesia

NADA NA VIDA ME ASSUSTA*

Nada na vida me assusta
A não ser meus sonhos escuros, pesadelos confusos, restos de mim no silêncio.
Aquela voz, sem som, desvendando o vazio da solidão noturna, me acordando.
Teremos mais uma conversa difícil, chamo meus guias e santas, preciso de força.
Dragões e feras se postam em pelotão, reais aos meus olhos, aos deles sou caça!
Peço reforços, em plena consciência que sou ouvida, mas não sei se sobrevivo,
Passarei a noite em claro, buscando redenção, negociando minha paz entre feras.
Nada na vida me assusta
Ontem domei dragões, enchi a cara com eles, contei chistes e desgraças, disfarcei
O tempo enquanto planejava a rota de fuga, seduzindo as ideias a meu favor e lei.
Perdi, algumas vezes perdi, deixei-me estraçalhar entre as garras de um dia ruim.
Não, não tenham pena de mim, nem eu mesma tenho, fiz o que não me orgulho
Rompi comigo mesma algumas vezes, para sobreviver, fingi ser outra e dissimulei.
Nada na vida me assusta
Carrego sempre comigo um amuleto escondido, a mãe ancestral me ensinou:
Filha, peça licença e passe! Carrego comigo suas dores e crenças, seus dons
De fazer mandingas, de fazer simpatias, de fazer chover, brilhar o sol e serenar.
Por isso domo feras e gente sem coração, domo o destino que me quer dobrar
Carrego sempre comigo a palavra afiada, escondida entre os peitos, se precisar.
Nada na vida me assusta
Não tenho medo de grito, de tapa, de safanão, de humilhação, nem de fanfarrão!
Sei bem como são, as marcas do embate ainda posso sentir por debaixo da pele
Não me agridem mais, passei tardes em solidão, me ensinaram a cavalgar o leão.
Hoje, as minhas tarde são minhas e do vento, do sonho acordado em pleno verão,
Que me cega de paixão por mim mesma, assim como sou, desfigurada e bela!

 

 


*Livremente inspirado no poema “ A VIDA NÃO ME ASSUSTA” de MAYA ANGELOU.

Professora licenciada em Letras Vernáculas com Língua Estrangeira Moderna (inglês) pela Universidade Federal da Bahia (2012), Mestra pelo Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura da Universidade Federal da Bahia (2016) e Doutora em Literatura e Cultura pelo mesmo programa (2024). Uma amante das letras e do conhecimento!

Poesia

Árvore bonita

Para minha irmã

Árvore frondosa de profunda raiz
A seiva bruta de ariana te alimenta,
Teus galhos fortes com agilidade e altivez
Abrigam, criam, inventam e sustentam
Passa raio, trovão, tempestade
Inundação, estiagem, alegria, tristeza
Árvore de aroeira é dura e cura
Bem plantada não tomba
Raiz profunda não deixa.

Natural de Ituaçu-Ba, graduando de Medicina pela UESB, contista, cordelista e poeta. No meio literário, lançou seu primeiro livro, “Ovos de Jabuti em Latas de Ferro”, de caráter incentivo e multigênero, e também é fundador do Concurso Literário Baianidades Interioranas.

Poesia

CORDEL: JUÁ & CIRIGUELA

Terezinha foi pro pasto Plantar juá e ciriguela.
Escavou a terra argilosa. Molhou com sua remela.
Semeou com pirilampos. Adubou com mel, canela.

Sua filha foi pro pasto Colher juá e ciriguela.
Catou frutinhas da grama Pra galinha magricela,
Que todinha fiapuda Devorou uma bagatela.

Sua neta foi pro pasto Comer juá e ciriguela
Correu a moleca risonha Com uma grande tigela.
Devorou caroço e talo Com o dulçor aquarela.

Mas a água fugiu do pasto. O sol escalda as costelas.
Fugiram mãe, filha, neta À grotesca cidadela.
Deixaram o juá triste, Secaram a ciriguela.

O sol alimentou a fome. A morte comeu moela.
Abandonaram folclores. A secura rachou a goela.
Ninguém mais foi pro pasto Catar juá e ciriguela.

A mãe virou faxineira. A filha ficou banguela.
A neta pegou cobreiro. Era uma vida balela.
Tinham saudades do pasto, Do juá e da ciriguela.