poeta vivo

Jannayna Sousa

Jannayna Sousa, poeta/escritora e fonoaudióloga neurodivergente. Alguém que acredita na cura pela palavra e que entende a necessidade de se ecoar falas!

Poesia

Meu recordar que é todo seu

Você não ouviu o tocar para o último som da minha voz que ouviria. Sinto muito. Perdeu a melhor das despedidas. Mas Talvez tenha sido que ser assim mesmo. Afinal, o gosto seria amargo. É, você fez o certo de fato.

Já eu… Eu… me apaixonei por partes suas que nem sequer deu tempo de dizer ou por completo desfrutar, e talvez seja melhor deixar pra lá mesmo, o problema é que deixar pra lá, não quer dizer esquecer, e eu te recordo, ah meu amor, como recordo…

Recordo o meu intenso querer do beijar sua parte mais sagrada até que seu gosto venha escorrer por entre suas pernas e por nosso, inteiramente nosso querer

Recordo o quanto quero engoli-lo e te mastigar a fim de saborear e descobrir do que sua alma é feita, e do que seus pensamentos anseiam, para então percorrer o caminho exato de como te fazer ir ao céu

Recordo a cada respirar meu, como quero inverter seu desejo e te informar que o céu é aqui, comigo, enquanto gemo estrelas, cometas, planetas e universos inteiros contigo, só contigo!

Jader Santini

Jader Santini é professor da rede municipal de São Leopoldo, RS. Possui trabalho na linguagem de desenho e pintura digital, que pode ser visto em @jadersantiniartes. Também produz HQs, contos e poemas, tendo publicado individualmente e em antologias. Seu livro mais recente é a HQ Anima, volume 1.

Poesia

A água levou teu nome

Quem é você que caminha avulso?
Teu pulso ainda vivo,
Cativo em teu momento de esperança.
Cheio de andança,
Ergue-se nos teus únicos sapatos.
Teus relatos de dor
Trazem que cor na tua Memória?
Que da tua própria história,
Pouco sobrou.
A água levou teu nome.

Ivânia Rocha

Ivânia Rocha é apaixonada por livros e leitura. Professora de profissão, escritora de vocação e pesquisadora por necessidade e vontade. Autora de Páginas do sertão: recepção de leitoras sertanejas – Appris, 2023; Da varanda dos fundos – TAUP, 2024; É permitido gozar! (org.) Escola de Escritoras, 2024. Mestra e doutora em Letras.

Poesia

Paradoxo

Vejo um idoso lutando pela vida.
Vejo jovens querendo morrer;
Um postergando a partida,
Os outros teimando em adoecer.
Enquanto o primeiro não se queixa e vive a sorrir
Os últimos muito reclamam e
Só pensam em partir, sumir.
Desaparecer. De qualquer jeito:
Solidão. Drogas. Suicídio.
Querem aliviar a dor; desejam não sentir
A maneira é fugir – seja como for.
O velho se apega a tudo:
Família, dinheiro, amor.
Para os novos, resta o vazio e o absurdo
De um mundo distópico e enganador
Na ciranda da vida, não sei o que pensar
Não quero colocar mais sal na ferida
Que por si não vai cicatrizar
No embalo da subida ou descida,
Não cabe a mim julgar!

Isabela Montello

Isabela Montello nasceu no Rio. Poeta experimental, ela mora e trabalha na França. Seus poemas foram publicados no zine zarf, nas antologias Só a poesia salva, Instagramável e Publicar é um direito, no catálogo da I Jornada Internacional de Poesia Visual, na plaquete A Kaleidoscope of Forms, na Revista TAUP. Seu primeiro livro, ar livre, foi publicado pela TAUP.

Poesia

abraço borboleta

cruzarbraço                    cruzarbraço
sobre peito                        sobre peito
bater                                             bater

de leve
a mão                                            a mão

 

a dor
do pé
no chão

Igor Pereira de Paula Costa, bacharel em Direito, poeta e utopista brasileiro, nascido em 29/03/1999. Participou de 26 (vinte e seis) antologias poéticas, que buscaram demonstrar os preceitos como respeito, paz, harmonia, felicidade, devoção e amor, na tentativa de demonstrar que toda a felicidade pode ser observada e conquistada por tais virtudes. Nas poesias, procura em versos livres, a melhor forma de expressão destacando a tendência amorosa nas consequências da vida.

Poesia

A Extinção das Compaixões

O amor foi esquecido no cotidiano!

Não há mais sentimentos puros pelos quais atraem os mesmos.

Ao observarmos a felicidade vemos cada vez mais distante do que chamamos de vida.

Amar as pessoas nunca foi tão complexo, porém pensar desta maneira, é desanimador para todo ser!

Sentimentos poderosos atraíram os indivíduos ao abismo estatal, que o adapta nas ambições modernas afastando-o da esperança amorosa.

Não crer no amor é a escuridão do modernismo, onde cair-se tornou a maior facilidade do ser humano.

DESABAFO POÉTICO

Faz um bom tempo que não exerço as atividades das letras!
Confesso que me sinto mais insolado desta benfeitoria expressiva
E mais perto ainda de padronizar e distanciar este grandioso hábito.

Foi neste instante que minha capacidade expressiva foi esvaziando-se,
e dando espaço para a falha do costume.
Não perdi o amor pelas letras, apenas limitei-me a não relatar aquilo que tenho apreço.
As composições vão afastando-se ao submundo da negligência.
E assim seus costumes prazerosos são adquiridos pela inatividade persuasiva.

E fabuloso imaginar que, em modesto desabafo, retornei-me vagarosamente aos prazeres poéticos.

Hevi Livre

Hevi Livre é natural de Recife. Graduada em Ciências pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Detém um olhar observador e atento às complexidades das relações humanas e sua relação íntima com psiquê humana. Sua paixão pelas palavras e pela literatura permite a transmutação de sua observação em poemas belos e ricos de significados.

Poesia

ÚLTIMO ATO

É causticante o jugo que incide sobre minha ancestralidade
Meu corpo marcado é apontado pela chancela do poder
Condenado pelo disparate de ousar ser
E ser petulantemente orgulhoso do distintivo da raça
Este que me borbulha o sangue nas veias
Você, embranquecido gradualmente em sangue, suor e lágrimas
Sobretudo afeito ao recalque da etiqueta marrom
Qual tom de pele não se veste
Frivolamente se reveste ao intencionar com manejo
O resgate do poderio armado sob o qual nos vergamos aprisionados
Depara-se decepcionado com a bravura arguta
Insolente desenvoltura de resistência digna
Fecundada na fé, no axé, na alegria pulsante de nossas almas
É teu último ato e o teatro está lotado
O tom da pele que te laqueia, clareia
Nu é um retrato devastado
Em cima do palco montado pela comicidade
Com a qual caminhamos até o resgate
De nossa face
Na nossa arte
Nosso espetáculo de vida
Para todo pertencer que não se abate

Henrique Medeiros Sérgio

Henrique Medeiros Sérgio é autor, Pesquisador e Palestrante sobre: Violências contra Mulheres e LGBTQIAP+, Relações Intrapessoais, Interpessoais e Pessoais, Autor e Ilustrador de vários livros.

henriquemedeirossergio@gmail.com
WhatsApp: 21/ 98503.3000
https://www.instagram.com/henriquemedeirossergio/

Poesia

Do desdém ao feminicídio

Primeiro momento surge o amor.
Pouco depois, juntos para sempre.
Depois o príncipe não é mais o mesmo
A relação pode começar torna-se abusiva.
E ela, fica obrigada a ser colusiva.
O amor começa a virar dor.
A dor começa virar violência.
A violência vira uma iminência.
Um possível feminicídio, uma dolência.
Não deve existir uma concordata para evitar a essa falência.
Na relação não adianta ser acrobata!
Fique atenta! O amor também mata!
O agressor cumpre seu papel de algoz.
Veja muito bem o que vem após.
Tudo começa com um desdém, um desqualificar.
Que dói! dói! dói!
Silenciosamente. Solitariamente
Destrói. Diminui.
Lentamente.
Corrói!
Mesmo aquelas que os agressores não conseguiram matar
Estão mortas em vida.
Não busque ajuda de curiosos e pessoas
Com soluções mágicas ou milagrosas,
elas não irão te ajudar.

Guilherme Eisfeld

Guilherme Eisfeld busca nas palavras uma forma de se encontrar com o meio. Curitibano não-praticante, editor, publicou seu primeiro livro de contos “Pedaço de Pano para Secar Enxurrada” em 2023 e segue em transformações.

Poesia

Haja paciência

Se de apenas uma casa pudesse dispor
faria suas boas-vindas de cacos vermelhos
alegorias de janelas quebradas
alegrias de pequenos bufões.

Livros mesclariam velhos retratos
roxos dedos gritariam nos martelos
um par de óculos sussurraria benzimentos.

Tacos soltos pulariam tropeços
tapetes agarrariam pés descalços
ensinando passos de dança
na superfície lunar.

Periquitos australianos e canários belgas
recitariam ao lado de pés de couve, chicória e limão
até tatus desenrolarem a imigração.

Filmes repetidos em cartaz
transformariam continuamente as tardes
em sessões de bolo formigueiro.

Ao crepúsculo
seus portões se abririam
o vento acenaria
o retorno perene.

Guilherme Balarin

Guilherme Balarin mora em Pindamonhangaba, interior de São Paulo; formou-se em publicidade e propaganda; é empresário, escritor, fotógrafo amador, membro da Academia Pindamonhangabense de Letras. Autor do livro de haicais Entre Monções, publicado pela editora Toma Aí Um Poema em 2023. Instagram:@guilebalarin

Poesia

Serei, eu mesmo, o que será

Era o banco que me sentava,
era a cama que me deitava,
era o corpo que me doía,
era a alma que me benzia.
 
Era tudo ao contrário 
do contrário do inverso.
Um universo temerário.
Fui larva, fui pupa, sou disperso.
 
Livre de sonhos intranquilos,
preso em eterna metamorfose,
tropeço em cacofonias.
Assobios, gemidos e sibilos.
 
Não sou gente que já fui,
nem gente que sou que continuaria.
Nada sei do tempo que flui,
certo da saudade que sentiria.
 
Deixarei quebradas poesias preferidas,
cacos vários de pontas e cortes.
À vivência de tantas dores e vidas,
a certeza de outros amores e mortes.
Gleidston Alis

Gleidston Alis é professor, escritor, cantautor, performer e multiartista de Minas Gerais. É doutor em estudos literários pela UFMG e seus trabalhos se fundamentam na intermidialidade, na inter-relação entre discursos ou áreas do conhecimento, no deslocamento do olhar pela multiplicidade de perspectivas que suscita a cultura contemporânea.

Poesia

A porta bate atrás de mim
Tapa nas costas
Tranca à frente
Ferrolho da madeira intransponível

Será possível?
Todas as portas do mundo batentes
Impactos concomitantes
Sinfonia de Buns! Bans! e outros socos

Todas as portas fechadas
Pra tudo do lado de fora
Trancadas por dentro
Trancadas por nada
Por não há de quês