Paraná

Fialco de Oliveira

Fialco de Oliveira escreve há cerca de quinze anos e recentemente descobriu a aspiração de vir a público com seus pensamentos mais internos, pelo menos aqueles que ganharam a forma de poesia. Formado em Letras pela UEL, considera a palavra escrita a expressão da subjetividade por excelência.

Poesia

Continuar

Ontem ameaçou
e hoje choveu
e não vai parar;
Não me interrompeu,
tenho que continuar.
Vou a pé, vejo as casas
vejo os carros e os quintais,
Uns pássaros voando
outros, engaiolados e não cantam mais.
Alguns homens vão andando,
outros, engarrafados
no escritório, empregados
pesquisando como ser.

Castiga, o mormaço,
mas, tenho que continuar
pelo carpê de piche
na violência do peito
nos encargos do anseio
e a indigência no ar.
A prover abrigo
sem beijo a recolher.
Apesar do suspiro
posso só continuar.

Denise Lisboa

Denise Lisboa, nasceu em 1985. É mãe, psicóloga e gateira. Paranaense, não por escolha. Escreve umas coisas quando as palavras chegam, em geral em meio ao caos.
Segue sobrevivendo exausta ao capitalismo tardio e à crise estética que nos assola.

Poesia

saudade

quando você vai embora
logo coloco a casa em ordem

(quero que ele aprenda
a ser um adulto funcional
estar em casa
sem instaurar o caos)

tenho tempo para afazeres
prazeres
mas meu coração, bagunça

prefiro o caos da correria
ao silêncio da sua ausência
baby shark em looping
às minhas playlists infinitas

minha vida é movimentada
ser mãe não resume o dia
mas apenas sua presença
é o que me faz calmaria

Cris Otto Sa

Cris Otto Sá, poeta e autora dos livros “Das Pedras do Caminho…” e “O Sentir do Passo”, explora temas como a natureza, a jornada da vida e as relações humanas na sua escrita, além de transformar pedras em arte e poesia.

Poesia

Escreve-me Poema

Toma-me, poema;
Escreve-me,
desvencilha-me do pensar.
Arrebenta amarras e rouba-me o corpo,
a alma, os sentimentos;
queima qualquer resistência,
arrebata-me o coração.
Arranca lágrimas, sorrisos;
tira-me de mim.
Que nada seja meu;
tudo, teu.
Escreve-me, poema,
como quem escreve
o início e o fim e, no meio,
me consome com sede,
fome, desejo.
E já na exaustão,
entre dores e prazeres,
me dê à luz e me devolva
desprovida de tudo
e repleta de amor.
Escreve-me…

Andrey Cechelero

Andrey Cechelero é Músico, multi-instrumentista, filmamker e escritor de Curitiba, Paraná. Como artista da gravadora AZUL MUSIC já lançou 24 álbuns desde 1998. Como escritor já editou 4 livros. Andrey tem um trabalho intenso nas redes sociais com poemas que falam à alma.

Poesia

sobre nós

sobre nós
a adaga fria do sofrimento
o mundo das aflições
pesado nos ombros
a todo momento
sobre nós
cem mil newtons de atmosfera,
pressão em todo centímetro quadrado,
cercados de água por todos os lados
curvamo-nos à força
vicissitudes dobram as gentes
e amar demais … igualmente
sofrer também é passar
sofrer é também deixar passado
vencer o atrito e chegar no espaço
do outro lado
do outro lado do espaço
sobre nós
sempre foi
sobre nós.