Mulher

Laila Angelica Moraes

Laila Angelica Moraes nasceu em Votuporanga-SP. Professora, Pedagoga, Escritora, Pesquisadora e Revisora Textual. Tem textos publicados nas Revistas Mallarmargens, Ruído Manifesto e Sucuru. Coautora de várias Antologias. Autora do livro de poesias “Poememórias” (2021) pela Editora Expressividade. Possui a coluna “Desalinhos Poéticos” na Revista Ikebana. Acadêmica da ACILBRAS, ABRESC, NALAP e ALIPE. Instagram: @lailamoraes30

Poesia

Amigos e amantes

Em seus doces abraços,
encontro-me.

Seus doces e aromáticos
beijos de morango,
afagam a minha alma.

O som de seus batimentos,
são como uma sinfonia
que aquecem o meu corpo.

O balanço das ondas
de seus negros cabelos,
me enlouquecem,
quando posso tocar
docemente.

Minhas pupilas
se dilatam
com o seu
sorriso maroto.

Me enlouquece
o seu toque em meu rosto.

Karina Ruiz

Apaixonada pelo universo das linguagens, Karina Ruiz escreve poemas, microcontos e crônicas. Em 2024 publicou alguns de seus textos em coletâneas das editoras Invicta, Lura e Peculiar. É licenciada em Letras (Unesp) e mestra em Literatura (UEM). Também atua como professora de língua portuguesa, revisora de textos e coordenadora do curso de Letras EaD da Unifev.

Poesia

A gaveta das palavras

Fechadas a sete chaves,
as palavras alegram-se
agora sendo vistas.

Do universo do gaveteiro,
sorriem calmas
à espera da destrava:
a ancestralidade
a infância
a adolescência
a juventude
a vida adulta
a velhice vindoura…

Acanhado no fundo do móvel,
outro microcosmo das letras
aguarda silencioso a sua vez:
o caderninho azul,
com as histórias que
me habitam.

Abro suas páginas e
elas pulsam nestas linhas
entrelaçadas e tecidas
como os bordados
que mamãe fazia
quando eu era pequenina.

Juliana Blasina

Juliana Blasina é poeta, editora e colagista. Autora dos livros 8 horas por dia e Toracotomia caseira, finalista do Prêmio Minuano 2022. Tem textos publicados em diversas revistas e antologias. Vive em Rio Grande/RS. @blasina_ju

Poesia

REBOJO

a mesma nuvem sobre nós dois
o mesmo vento a mesma chuva
o mesmo pássaro cantando um mau agouro
esganiçado e rouco

culpo a umidade relativa do ar
por minha loucura nas noites de inverno
se uivo para uma lua de sangue
se crio para mim um Jonathan com teu rosto
e o trago sobre tuas pernas
marchando alucinado
sobre um banhado que logo seca

há um buraco na planície, Jonathan
tome cuidado, mas tenha pressa
:
eu preciso que você me olhe
agora
que meu delírio é como o sol de julho
entre nuvens carregadas de tempestade
ele exibe o fenômeno raro de brilhar
por ti.

Julia Roque

Julia Roque é estudante de Letras pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), professora de línguas, escritora e contadora de histórias.
Uma leitora voraz, desde criança, possui alguns textos publicados em revistas como Revista Ruído Manifesto, Revista Sucuru, além da Antologia Nós do Selo Off Flip (2023).

Poesia

anarcadium occidentale

meu amado cajueiro
quero crescer contigo
sufocada em seus desejos
na intensidade das coisas que se atiram em
nós
sou a mão que se leva ao
alto
em busca do fruto azedo
que encontra o mel da
folha
mas não arrisca
deleitar
que foge atormentada
envergando os
ganhos
ao vento
que se contenta
com o caroço

Jeniffer Yara

Paraense, Jeniffer Yara sempre foi apaixonada pelas letras e pelas leituras que realizava, dos livros e da vida. É autora de Sintomática (2022), e organizadora de algumas obras, entre elas Crônicas paraenses: novos olhares sobre cenas locais (2021) e Letras em narrativas (2024). É professora e pesquisadora em Estudos Literários.

Poesia

Maresia tempestuosa

Nos rios que transbordam pela cidade
me encontro na maresia de quem
desistiu de ser todo o dia
porque cansa
exaure
desgasta
e, mais ainda,
desespera
o corpo queimado,
a língua extinta,
a história apagada,
e os laços arrebentados
pelo colonizador que insiste em derrubar nossas florestas
em escassear nossas águas
em matar nossos animais
e explorar nossos corpos.

Da menina marajoara
à criança vendedora de bombom no sinal,
são queimadas, estraçalhadas e subjugadas
as narrativas de quem nunca teve palco
som e cenário para esbravejar suas lutas,
seus nomes e suas crenças.
A Amazônia pede socorro, assim como eu.

Jannayna Sousa

Jannayna Sousa, poeta/escritora e fonoaudióloga neurodivergente. Alguém que acredita na cura pela palavra e que entende a necessidade de se ecoar falas!

Poesia

Meu recordar que é todo seu

Você não ouviu o tocar para o último som da minha voz que ouviria. Sinto muito. Perdeu a melhor das despedidas. Mas Talvez tenha sido que ser assim mesmo. Afinal, o gosto seria amargo. É, você fez o certo de fato.

Já eu… Eu… me apaixonei por partes suas que nem sequer deu tempo de dizer ou por completo desfrutar, e talvez seja melhor deixar pra lá mesmo, o problema é que deixar pra lá, não quer dizer esquecer, e eu te recordo, ah meu amor, como recordo…

Recordo o meu intenso querer do beijar sua parte mais sagrada até que seu gosto venha escorrer por entre suas pernas e por nosso, inteiramente nosso querer

Recordo o quanto quero engoli-lo e te mastigar a fim de saborear e descobrir do que sua alma é feita, e do que seus pensamentos anseiam, para então percorrer o caminho exato de como te fazer ir ao céu

Recordo a cada respirar meu, como quero inverter seu desejo e te informar que o céu é aqui, comigo, enquanto gemo estrelas, cometas, planetas e universos inteiros contigo, só contigo!

Ivânia Rocha

Ivânia Rocha é apaixonada por livros e leitura. Professora de profissão, escritora de vocação e pesquisadora por necessidade e vontade. Autora de Páginas do sertão: recepção de leitoras sertanejas – Appris, 2023; Da varanda dos fundos – TAUP, 2024; É permitido gozar! (org.) Escola de Escritoras, 2024. Mestra e doutora em Letras.

Poesia

Paradoxo

Vejo um idoso lutando pela vida.
Vejo jovens querendo morrer;
Um postergando a partida,
Os outros teimando em adoecer.
Enquanto o primeiro não se queixa e vive a sorrir
Os últimos muito reclamam e
Só pensam em partir, sumir.
Desaparecer. De qualquer jeito:
Solidão. Drogas. Suicídio.
Querem aliviar a dor; desejam não sentir
A maneira é fugir – seja como for.
O velho se apega a tudo:
Família, dinheiro, amor.
Para os novos, resta o vazio e o absurdo
De um mundo distópico e enganador
Na ciranda da vida, não sei o que pensar
Não quero colocar mais sal na ferida
Que por si não vai cicatrizar
No embalo da subida ou descida,
Não cabe a mim julgar!

Hevi Livre

Hevi Livre é natural de Recife. Graduada em Ciências pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Detém um olhar observador e atento às complexidades das relações humanas e sua relação íntima com psiquê humana. Sua paixão pelas palavras e pela literatura permite a transmutação de sua observação em poemas belos e ricos de significados.

Poesia

ÚLTIMO ATO

É causticante o jugo que incide sobre minha ancestralidade
Meu corpo marcado é apontado pela chancela do poder
Condenado pelo disparate de ousar ser
E ser petulantemente orgulhoso do distintivo da raça
Este que me borbulha o sangue nas veias
Você, embranquecido gradualmente em sangue, suor e lágrimas
Sobretudo afeito ao recalque da etiqueta marrom
Qual tom de pele não se veste
Frivolamente se reveste ao intencionar com manejo
O resgate do poderio armado sob o qual nos vergamos aprisionados
Depara-se decepcionado com a bravura arguta
Insolente desenvoltura de resistência digna
Fecundada na fé, no axé, na alegria pulsante de nossas almas
É teu último ato e o teatro está lotado
O tom da pele que te laqueia, clareia
Nu é um retrato devastado
Em cima do palco montado pela comicidade
Com a qual caminhamos até o resgate
De nossa face
Na nossa arte
Nosso espetáculo de vida
Para todo pertencer que não se abate

Gisela Maria Bester é escritora gaúcha radicada no Paraná e no Tocantins, mestra e doutora com estágio pós-doutoral em Direito. Vencedora do 38.º Prêmio Yoshio Takemoto de Literatura 2024 (Haicai). Autora dos livros Pinte-me de Azul (Mondru, 2023 –Troféu Capivara Reconhecimento Literário, no Prêmio Literário da Cidade de Curitiba 2024) e Sorrir, esse sacrifício (TAUP, 2024).

Poesia

ANTRÓPICO

aterrisse seu avião em uma pista cheia de mar
sufoque-se com as fumaças das queimadas
– sobrepostas sonoridades já não mais possíveis –
cegue-se com as tempestades de fuligens
tome veneno no copo d´água, outrora de vida cristalina
coma hormônios no frango de padaria
ingira antibióticos e líquidos vacinais
nas maminhas da macia carne bovina
celebre o fim das outras espécies, asas não
ria do veado dependurado, sangrando no seu gozo estéril, azar
faça pouco da onça, na beira da civilização
não se esqueça da transgenia, comendo a sua fome feia, recrute sempre sua imensa ganância
sinta calor extremo, águas espessas
compre mais aparelhos de ar-condicionado
e espere os apagões, na sua plúmbea visão
coce seu cancro de pele de ozônio de sol aberto
desafie a rotação e a bondade do planeta
extraia mais riquezas daquilo que não é seu
mate indígenas por amianto, lítio, cassiterita, ouro,
madeira e terra, espalhando ácido pranto
conte mais dinheiros e vantagens,
derrube mais árvores, mate mais e mais, nascentes, sementes,
bichos, sonhos, afetos, e não se esqueça, imutável ser,
de fazer de conta que o inferno não parte de si

Um corpo que cai

Mulher, te dei morada, mas…
essa boca humilhada
esses olhos gencianos
onde estão teus dentes?

Mulher, te dei caminho
de veias, para resvalar o sangue quente
de pernas, para levar teus sonhos ao cio
de línguas, para friccionar tuas traduções
e há glossários, para necessárias desobediências

Mulher, te dei desejos
Cordas e sons de cantar a vida úmida
Mas essa dobradiça repetindo
rangendo mecânica dor
                                    esgotada
                                               e seca
qual trapo perdido, escorregando no vazio
movimenta insana inanição

Mulher oceânica
investiga teus rastros
e tenha em ti um poema
porque um corpo que cai
é o mesmo que se levanta

Gil Lourenço

Gil Lourenço nasceu potiguar e cresceu fluminense. Pedagoga, descobriu-se poetisa, inspirando-se em suas origens e vivências para versar sobre amor, erotismo e empoderamento.

Poesia

Retalhos

Menina faceira
Sinto seu cheiro
Imagino o sabor
Da boca rubra

Um convite
O alerta
Uma armadilha
E o descuido

Laço e enlace
Passa o tempo
Passa a vida
E o sentido sentiu

Sou cativo
Passeio livremente
Por torrentes e curvas
Sem caminho de volta