Minas Gerais

Mineira de Belo Horizonte e viajante do mundo! Que sonha em fazer um poema com objetivos diretos como o orvalho e o rio que se entoam naturalmente!

Poesia

Rio Verde

Aprofundar-te seria perder…
E era como um segredo
cortar-te ao meio, cegar-te
voluptuosidade clandestina
fazer de conta que era mistério
que a realidade acontecia nua
inundando o desejo
incrustado em seu chão transparente, era estesia!

Magicamente, algo nos vigiava atento
a memória esvaziava, a fantasia vinha
e o silêncio eclodia.

E era como fogo
sede-sedução
alimento orgânico
gorjeio desenfreado.

Querer-te seria morar-te
olhos verdes
Rio Verde.

Cidinha da Silva

Cidinha da Silva é escritora e doutora em Difusão do Conhecimento. Autora de 22 livros, entre eles os premiados “Um Exu em Nova York” e “O mar de Manu”. Tem traduções em catalão, espanhol, francês, inglês e italiano. É cronista do jornal Rascunho. Seu livro mais recente é “Vamos falar de relações raciais? Crônicas para debater o antirracismo” (Autêntica, 2024).

Poesia

Chuva

Ontem chovi
Era chumbo
A nuvem que me matava
Chovi mágoa
Contrita
Ebó despachado na praça
Na encruza do tempo perdido
Chovi no pântano dos afogados
Mangue de dor
Sem flor que nasça
Chovi o amor guardado
Tudo é morte
Tudo é renovação
Só por chover
Amor
Vivo

Tássia Veloso

Tássia Veloso é poeta, taróloga, terapeuta energética, desabafadora e escutadora de sentimentos, experimentadora da vida. Gosta de viajar para dentro e fora de si, e de vez em quando compartilha essas jornadas com outras pessoas. Nas redes sociais, escreve no @umpoucodealma

Poesia

A parede

Eram tijolos.
Apenas tijolos empilhados sobre um livro.
Mas não eram apenas tijolos e nem somente um livro.
Cada página daquele impresso fazia envergar aquela parede.
Cada letra ali escrita fazia envergar um pouco mais a matéria.
Assim como na vida.
A palavra possui força além da substância,
move paredes.
Faz ruir tudo o que antes era concreto.
Todas as convicções caem por terra.


O verbo quando venta não faz distinção de solidez,
não quer saber se suas verdades estão construídas sobre areia ou cimento.
O verbo quando venta quer fazer de tudo pó.
Sem distinção.

Servos Cardoso

Servos Cardoso é natural de Formiga/MG e, em 2022, recebeu a honraria do título de Cidadão Honorário de Cláudio/MG, cidade onde atualmente reside. É violinista, educador, palestrante, poeta, escritor dos livros de poesia: Poético e Virtudes. E foi, em sua adolescência, que descobriu o gosto pela música, leitura e poesia.

Poesia

O que acontece depois que morremos?

Muitos voltarão a ser pó da terra,
poucos voltarão a ser luz no mundo.
Não por castigos ou punições,
mas por causa e efeito de suas ações.
Muitos apenas sobrevivem por aqui,
poucos vivem deixando seus rastros por aí.
Aos que viram pó,
seus nomes serão lembrados
até alguma próxima geração.
Aos que viram luz,
viram luz para iluminar caminhos.
E aqueles que os percebem
fazem esforços para que seus nomes nunca se apaguem,
pois seus nomes trazem efeitos frutíferos aos ombros de quem os evocam,
como as chuvas de bênçãos que recaem sobre solos secos.

Renato Formiga

Renato Formiga Lima, nascido em Minas Gerais, é um poeta, escritor e um cientista, que busca, na virtude e pelo porquê das coisas, a forma de expressão máxima que somente a arte e o pensar podem transmitir.

Poesia

Adeus, bela rosa

Minha rosa amiga, bela e dourada
tanto a amo que o ar do peito se esvai,
sufocado tive a felicidade roubada,
pois uma escuridão chegou e não se vai;
se me afasto e me calo é porque eu a amo
e não sei agir corretamente ao teu encanto.
Sofro do mal da tristeza e do abandono
um covarde que não teme machucar a pétala;
estou tão perdido em prantos e pensante,
não sei lidar com essa doença inquieta
que joga para o alto e depois para o abismo,
a que me aflige e me faz cair no descrer,
e que destrói a mente sã: a paixão ardente.
Minha cara, se perguntar a mim se sofro,
Direi que sofro e então direi mentiras,
Pois não posso dizer que me sinto isolado,
Que sinto que entreguei o tudo por nada
Que a amei sem ter motivos de amar,
E é por amar que me afasto de ti, amor,
Pois senti que estava procurando mais dor…
E então rosa dourada, coisa mais bela,
Serei então tolo por conjurar tal poema,
Mas minha alma arde e pede por escrever,
E em vão e mais uma vez procuro sua alma:
Com palavras espero que me entenda,
Porém sem esperanças verdadeiras…
Quando vi você correndo descalça em direção
à árvore quadricentenária na Ilha do Combú
e depois colocando as mãos espalmadas
na base da samaumeira de mais de 50 metros,
imaginei você trançando os cabelos nos galhos;
conectando-se às folhas e ao tronco igual no Avatar .

Faz 10 anos. Hoje leio os primeiros versos de um poema
que você esboçou quase em lágrimas pela manhã:
“Uma árvore virou cinza na Amazônia.
Inúmeras árvores viraram cinza na Amazônia
nos últimos anos.”

Naquele mesmo dia, coloquei meu ouvido na terra.
Disse a você que escutava o choro das árvores,
O clamor do solo sangrando, de peixes sufocados,
De muitos animais gemendo e convalescendo.

Você me disse que eu não sabia aproveitar a beleza de Gaia,
a energia da floresta, as vozes e os espíritos ancestrais.
Por isso, não lhe disse que também ouvi sons de motosserra,
De árvores crepitando, de pássaros em agonia.

“Nem tudo é tragédia”, você me repreendeu.
“Nem tudo é beleza”, pensei mas não lhe disse.

Nanci Otoni O. de Faria nasceu em Nova Lima, MG, Brasil. É casada, mãe de três filhos, professora e orientadora aposentada. Graduada em Letras, Pedagogia e certificada em Hipnoterapia. Apaixonada por poesias e histórias de ficção, possui quatro obras publicadas e outras em andamento. Faz parte da Academia Nova-limense de Letras.

Poesia

MEU RETRATO

Não sei se é bom ou se é certo
Só sei que o que penso que o que o sinto
Fazem ainda diferença na hora de existir
De me expressar de me redimir

Sentimento de inutilidade me invade a mente
E uma tempestade de ideias loucas toma conta de mim
Não sei se protesto e aceito se durmo e se esqueço
Apenas sei que esses pensamentos ruins
Precisam ter fim

Viajo busco outros ares mas sempre me deparo
Com a sensação de insignificância que à noite me espera
Me sinto fraca um caco um trapo
Já fui um dia importante na história

Ainda bem que as lembranças já estão indo embora
Pessoas importantes que me vêm à memória
Escapam dela da mesma forma
E tampouco estou me lembrando dos tempos de outrora

Estou virando uma página em branco
Um ser sem mente e exigente e implicante
Que não sabe mais o que me espera
Apenas pressinto que estou indo embora
Que preciso pôr um fim na minha própria história

SABINO MENINO

Em 1923, nasceu, em BH, um menino
Filho de Odete e de Domingo Sabino
Que possuía talentos encobertos
Mas o dom de escrever era certo.

No dia das crianças, nasceu o mineirinho
Que gostava de ler pelo caminho
E nem percebia que havia perigo
De andar distraído lendo um bom livro.

Com doze anos, para o escotismo entrou
Em uma de suas crônicas, o garoto declarou
“Uma vez escoteiro, sempre escoteiro”
E seguirei livre para onde for.

Com doze anos incompletos
Aquele rapazinho foi o locutor
Do programa infantil “Gurilândia”
Que a rádio Guarani de BH criou.

Aos quinze anos, o Sabino se superou
E na criação de um jornalzinho ajudou
Ele foi cognominado “Inúbia”
E no Ginásio Mineiro se instalou.

Aos dezessete anos, aprendeu taquigrafia
Ser gramático o Sabino pretendia
E escrever mais rápido
Era tudo o que ele queria
Escritor, então, virou o menino.

Marina Faloni

Marina Faloni é natural de Frutal-MG. Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Atualmente, trabalha com direito à moradia e direito urbanístico. Desde a adolescência, tem a escrita como refúgio.

Poesia

Broto

Você me pediu um poema.
Eu rio. E um rio
sacode as tripas por dentro.

Será que alguma flor brotou no seu peito?
Será que ela brotou antes de eu brotar?
Ou eu brotei e um ramo espinhoso rasgou o seu peito?

Te rasgaram a barriga também.
Alguém te perguntou?
Você quis isso?
A barriga cortada
Eu brotando
O espinho rasgando o peito
Você quis isso?

O sistema te fez seguir?
O casamento foi por amor?
Alguém te disse que não querer
pode ser um desejo?

Se você pudesse escolher, ia querer?
Você não podia escolher.
Mas um dia você gritou que quis
e eu nunca mais perguntei.

Marcone Rocha

Marcone Rocha nasceu na cidade de Fervedouro, Minas Gerais. Ainda na infância desenvolveu uma relação profunda com a poesia. Graduado em Direito e Letras, autor do livro “O Menino e o Rio – Uma celebração a Vidas Extraordinárias”, explora de forma lírica e poética as complexidades, revelando o extraordinário nos momentos simples da vida.

Poesia

Meio-claro

No silêncio das sombras, o homem caminha sozinho.
Carrega o peso do amor que não pode ser seu.
O coração pulsa forte, mas a tristeza o domina.
Como uma chama que reclina, esse amor é proibido.
Um amor que floresce num terreno tão alheio,
Como um sol que não pode tocar a lua à noite.
Entre suspiros e segredos, ele guarda um desejo.
Ainda que na penumbra da noite, ele chore sozinho,
Ele ama em silêncio, feito um poeta de amor clandestino.

Luciana Fraga

Luciana Fraga é natural de Formiga-MG, da comunidade rural de Fazenda Velha. Autora dos livros “À Flor da Pele” e “Devaneios Endereçados ao Indizível”. Membro efetivo da Academia Formiguense de Letras, na cadeira nº 16. Membro do Clube Literário Marconi Montolli e do Coletivo Poesia de Rua. Instagram: @_luciana_fraga_

Poesia

Os perigos da mágoa

A mágoa fere
A cada nova oportunidade

Eis o perigo
De cultivá-la

Há que libertar-se
De qualquer mágoa
Ressentimento
Ou rancor
O quanto mais breve
Seja possível

Sob pena de ferir
– ciclicamente –
Quem apenas se deseja acolher
Da forma mais plena
E incondicional

Igor Pereira de Paula Costa, bacharel em Direito, poeta e utopista brasileiro, nascido em 29/03/1999. Participou de 26 (vinte e seis) antologias poéticas, que buscaram demonstrar os preceitos como respeito, paz, harmonia, felicidade, devoção e amor, na tentativa de demonstrar que toda a felicidade pode ser observada e conquistada por tais virtudes. Nas poesias, procura em versos livres, a melhor forma de expressão destacando a tendência amorosa nas consequências da vida.

Poesia

A Extinção das Compaixões

O amor foi esquecido no cotidiano!

Não há mais sentimentos puros pelos quais atraem os mesmos.

Ao observarmos a felicidade vemos cada vez mais distante do que chamamos de vida.

Amar as pessoas nunca foi tão complexo, porém pensar desta maneira, é desanimador para todo ser!

Sentimentos poderosos atraíram os indivíduos ao abismo estatal, que o adapta nas ambições modernas afastando-o da esperança amorosa.

Não crer no amor é a escuridão do modernismo, onde cair-se tornou a maior facilidade do ser humano.

DESABAFO POÉTICO

Faz um bom tempo que não exerço as atividades das letras!
Confesso que me sinto mais insolado desta benfeitoria expressiva
E mais perto ainda de padronizar e distanciar este grandioso hábito.

Foi neste instante que minha capacidade expressiva foi esvaziando-se,
e dando espaço para a falha do costume.
Não perdi o amor pelas letras, apenas limitei-me a não relatar aquilo que tenho apreço.
As composições vão afastando-se ao submundo da negligência.
E assim seus costumes prazerosos são adquiridos pela inatividade persuasiva.

E fabuloso imaginar que, em modesto desabafo, retornei-me vagarosamente aos prazeres poéticos.