Paulo Costa é natural de Brasília, psicanalista, formado em psicologia pela Universidade de Brasília, se arrisca na aventura da escrita tentando sempre escutar as rimas e os versos que a vida cotidiana tenta encobrir. Escrever a partir daí é um modo de sobrevivência, uma maneira de vivificar o irrepresentável, incluindo-o na letra.
I. Tri.logia do amor
Do anonimato das idas e vindas
Muito sentido, pouco a dizer
Ficamos na tarefa quase impossível de dizer o que nos escapa
da palavra que se reduz ao sentido
quando muitas vezes, uma palavra não cabe num sentido
quando esse sentir é muito pra pouca palavra, pra uma palavra pouca
Ilusão dizer que o máximo que se poderia dizer de um muito sentido seria um já batido “eu te amo”
Está aí a palavra pouca
Pra bom entendedor, meia palavra basta
Arrisco a dizer, pois se trata de um risco
Que a ausência da palavra também basta
E que é possível compreender no silêncio
Existe algo do silêncio que se transmite
E que para um bom compreendedor
o silêncio basta
Te amo em silêncio
e em anonimato
sem nome