Yara Fers escreve seus poemas à mão, em cadernos sem linhas, para ter liberdade de brincar com as palavras, mudar direções e reinventá-las. Mas seu primeiro poema, cometido aos 8 anos de idade, foi em uma máquina de escrever Remington 22, que pertencia ao pai, também poeta. Desde então, a poesia se fez necessária, entrelaçando-se à existência do corpo. O primeiro livro veio ao mundo em 2021, quando completou 38 anos. Hoje já são doze rebentos, entre obras de poesia, romance e infantis. Já possui rugas, mas mantém o costume da infância de brincar com palavras.
Descanso
somos a pausa
fibras musculares estendidas
distendidas
corpos de duas foices-ferramentas
entrelaçados
afiamos nossa fúria
um no outro
em descanso
entre jornadas
pés libertos das botas
uniformes deformados
simbiose de sonhos
sóis se debruçando
no horizonte trigal
entre o suor e o sono